"Depois"
Canta Marisa Monte, no álbum Infinito Particular (2006).
Depois de nós
E assim se perderam.
"Depois"
Canta Marisa Monte, no álbum Infinito Particular (2006).
Depois de nós
E assim se perderam.
Silêncio e Tanta Gente
Maria Guinot - 1984
Havia gente em volta, tanta gente,
tantas vozes e risos pelo ar,
julgava que quem vinha, docemente,
ficava se eu precisasse de chorar.Um dia a vida mudou de repente,
dei comigo num rumo diferente,
onde havia essa gente, tanta gente,
ficou silêncio... o silêncio somente.Algumas mãos, julgava eu amigas
foram-se afastando bem devagar,
ignorando que nas horas difíceis
precisamos de alguém para abraçar.Fiquei a olhar a porta entreaberta,
ansiando um passo, uma voz, um sinal,
mas há verdades que nos desperta
quando a amizade é só ocasional.Fui aprendendo, sem qualquer revolta,
não vale a pena chamar quem não vem,
há quem conheça bem a nossa porta,
mas nunca entrou dentro de nós também.Ficou o abraço de quem me dá vida,
a mão que segura a minha sem soltar,
ficou o amor dos filhos sem medida,
e uma amizade que me ensina a lutar.Compreendi, talvez tarde, talvez cedo,
que o amor não precisa de multidão,
basta uma mão firme se existe medo,
basta um abraço sem explicação.Se alguém perguntar o que perdi,
talvez responda, depois de pensar…
Perdi quem não soube viver aqui❤️
ganhei quem nunca deixou de ficar.Silêncio... e tanta gente.
Tanta gente... e tão pouco valor.
Bastam as presenças verdadeiras,
para o silêncio virar Amor.

Quem é o Silêncio?

Portal da Cor
Milton Nascimento-1985
Portal da Cor
O chão que pisamos já não nos conhece,
o rio que corre não bebe a canção.
Na pressa do homem, a terra adoece,
há um muro invisível de desunião.
Esquecemos o sopro que gera a semente,
fechamos os olhos à teia vital.
O bicho e a folha caminham à frente,
enquanto nós somos o corte e o mal.
Ouve o gemido que vem da floresta,
o vento que racha, a chuva que cai.
A dor desta Terra já não se cala,
é um grito pungente que vem e não vai.
O mar retrocede, o sol nos avisa,
o clima alterado anuncia o terror.
A vida suplica em cada brisa,
para cruzarmos o portal da cor.
É hora de ver o verde e o vivente,
curar a fratura, sentir o clamor.
Voltar para o útero do continente,
e abrir, finalmente, o portal da cor.
Envolve-me de pura realeza,
Põe-me em um estado de graça,
Inspirando-me, sem arruaça
Um verdadeiro portal da cor...
Tudo ao redor me fala do Divino,
O Criador me inspira tal um hino
De louvor ante à bela Mãe Gaia,
Só desejo uma água, ela caia.
Um verdadeiro portal da cor...
Sinto um frescor ante o verde,
Como é belo o sol no auriverde!
Respiro profundamente temente
Ao doce Artesão tão benevolente.
Um verdadeiro portal da cor...
Diante da Criação, sou a criatura
Feliz, agradecida à sua Escritura.
Só o Bom Deus pode tecer assim
Um hino tão oportuno, eu digo sim.
Um verdadeiro portal da cor...
