há palavras que nos amarram e nos torturam, assassinas
há palavras que nos tocam como chuva, tão delicadas e finas
há palavras rudes, cruéis, que preferimos esquecer
há palavras que nos calam
há palavras que nos libertam.
Não escolho as palavras
são desejos que por mim passam
sonho com elas, um sonho que não faz ruído
na minha mente desfiam
e ondulam como um mar erguido.
apresento-as ao mundo, para que minha voz
se espalhe, como um caudal de luz,
e é atroz senti-las afogar-se nas águas
dum mar infinito,
levando meu grito, minhas mágoas
sem querer ouvir o meu sentir,
fogem de mim a horas mortas
nem sei porque as escrevo, só Deus
escreve por linhas tortas!
não escolho as palavras
escrevo como um recém nascido que chora,
com a saudade que no meu coração mora.
memórias escritas que são folhas que caem
em solidão e esquecimento
move-se minha mão, que não sei porque escreve
quando o pensamento lhe diz que não deve,
alguma coisa o coração embriaga
será o aroma de pétalas pela vida esmagadas?
ou a esperança, talvez o destino traga
aos dias, rosas belas perfumadas.