E Depois do Adeus
Paulo de Carvalho - 1974
E Depois do Adeus
Partiste mãe, a noite ficou mais fria,
como se o céu chorasse sobre mim,
levaste contigo a luz dos meus dias,
deixando minha alma sem jardim.
Procuro-te no vento e nas marés,
na lua que se deita sobre o mar,
até no silêncio dos meus passos
há qualquer coisa tua a me chamar.
E depois do adeus, que faço à vida,
se a vida é tão pouca sem te ter?
Se toda a minha alma, tão perdida,
ainda te procura sem saber.
Há amores que não deviam terminar,
nem morrem quando a vida os separou.
Ficam presos ao peito, seu lugar,
como um beijo que o tempo não levou.

Depois do adeus, vem a saudade,
Depois da saudade vem a autoestima,
Depois da autoestima, no amor próprio,
Vem a fênix renascida, vitoriosa.
Depois do adeus, a vida segue…
A tristeza, aos poucos, desaparece,
O viver toma novos rumos vigorosos,
A guerreira ressurge na berlinda.
Depois do adeus, o ânimo reacende,
É preciso continuar, ser aguerrida,
A solitude passa a ser criativa, o surto
Transforma-se em progresso emocional.
Depois do adeus, o luto é superado,
O amor autêntico jamais é esgotado.
Ele segue pulsando, vibrando no peito,
Mesmo sublimado, ah! Só 'depois'...

E Depois do Adeus
Quis saber quem souO que faço aquiQuem me abandonouDe quem me esqueciPerguntei por mimQuis saber de nósMas o marNão me trazTua voz.
Em silêncio, amorEm tristeza enfimEu te sinto, em florEu te sofro, em mimEu te lembro, assimPartir é morrerComo amarÉ ganharE perder.
Tu vieste em florEu te desfolheiTu te deste em amorEu nada te deiEm teu corpo, amorEu adormeciMorri neleE ao morrerRenasci.
E depois do amorE depois de nósO dizer adeusO ficarmos sósTeu lugar a maisTua ausência em mimTua pazQue perdiMinha dor que aprendiDe novo vieste em florTe desfolhei.
E depois do amorE depois de nósO adeusO ficarmos sós.
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