Não Há Estrelas No Céu
O Céu que Esquecemos
Olhamos para cima, a noite está escura,
o fumo da guerra apagou o que luzia;
perdemos o espanto, a voz, a ternura,
no chão de pedra onde paz jazia.
Há homens contando moedas de prata,
enquanto o ouro acende fogueiras,
vendem a Terra, ferem quem a trata,
cobrindo de cinzas as sementeiras.
Esquecemos o vento a beijar o rosto,
o verde dos campos, o rio a cantar;
bênçãos divinas, tão simples, imensas,
que a vida nos dá sem nada cobrar.
Há ódio nas ruas, ecos de canhão,
o brilho do ouro prendeu-nos o olhar;
não há estrelas no céu, nem no coração,
porque a humanidade já não sabe amar.
Mas basta um gesto atento ao redor,
limpar o fumo, seguir outra estrada;
abrir novamente a alma ao Amor,
e o céu mudará - é noite estrelada.

Não Há Estrelas no Céu
Em meu céu todo estrelado,
Não vivo sem paz, amargurada,
Há muitas celebridades ocultas,
Mesmo não sendo brilhosas,
Elas ofuscam meus medos.
No céu do nosso universo,
As estrelas estão escassas,
O mundo passa muito aperto,
O luzeiro se inibe, não se anima,
Os astros escondem sua estima.
Tento fazer reluzir o meu lado,
Não deixo minha vida apagada,
Elas pestanejam nas noturnas,
Na escuridão das insônias,
Iluminam todos meus sonhos.
Não há estrelas no céu,
Elas se escondem só para mim,
Sem melindres, estou a fim
De guardá-las em segredo,
A fim de libertar todo degredo.
