Nem às Paredes Confesso
Amália Rodrigues - 1957
A vida corria certa e sem aviso,
O corpo forte desafiava o vento,
Mas a doença apaga-nos o riso,
Mudando o rumo num momento.
À nossa volta ergue-se o carinho,
A família estende a mão com devoção,
Ninguém nos deixa caminhar sozinho,
Mas há combates só do coração.
Por trás do laço que nos prende e salva,
Há uma sombra que eu sozinha meço,
Nas horas frias da matina alva,
Nem às paredes confesso.
O amor abraça a dor que se repara,
Mas o silêncio é o meu único abrigo,
Pois o destino, quando a vida pára,
Guarda o segredo do que sofro e sinto.

Tenho segredos só meus
Existem apenas entre mim e Deus
Nada há de oculto entre nós.
Tenho segredos sagrados,
Meu coração magoado
Não conta aos ingratos.
Meus sigilos são mágicos,
Não são graves nem trágicos,
Apenas vivências guardadas.
Meus sigilos, sinceros relatos,
Não é necessário publicar
Minha experiência a desfolhar.
Como são secretos sonhos,
Nem às paredes confesso,
O silêncio é a alma do sucesso.
Não queiras gostar de mim
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero porque não quero
Dar-te um desgosto.
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto
Que não gosto de ninguém
Podes sorrir, podes mentir
Podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso.
Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem eu espero
Se eu gosto ou não afinal
Isso é comigo
Mesmo que penses que me convences
Nada te digo.
Sem que eu te peça
Nem me dês nada que ao fim
Eu não mereça
Vê se me deitas depois
Culpas no rosto
Isto é sincero porque não quero
Dar-te um desgosto.
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso
E até aposto
Que não gosto de ninguém
Podes sorrir, podes mentir
Podes chorar também
De quem eu gosto
Nem às paredes confesso.
Quem sabe se te esqueci
Ou se te quero
Quem sabe até se é por ti
Por quem eu espero
Se eu gosto ou não afinal
Isso é comigo
Mesmo que penses que me convences
Nada te digo.

Sempre que ouço ou vejo algo da Amália Rodrigues, lembro de minha mãe que a adorava ouvir. Segredos... Só as paredes os sabem, ainda que não confessados,rs...
ResponderEliminarLindas ambas poesias! beijos às duas, tudo de bom,chica
Todos temos segredos! Temos de aprender a lidar com eles! Adoro a vossa inspiração! 👏😘👏😘
ResponderEliminarLindo poema. Te mando un beso.
ResponderEliminarBom dia:- Belos poemas. Amália Rodrigues é inigualável.
ResponderEliminar.
Semana feliz. Saudações poéticas
.
Passando e visitando seu cantinho, queridona, beijo, beijo.
ResponderEliminarNo silêncio vivemos nossos desatinos, momentos de encontro ao mais profundo Eu e as paredes silenciosas testemunham o que lhes é negado. Duas belas leituras da bela canção.
ResponderEliminarMeus aplausos queridas amigas.
Bjs e paz no coração.
Boa tarde Amigas Fê e Rosélia,
ResponderEliminarAmália, sempre uma inspiração!
Adorei os vossos poemas, cada qual ao vosso jeito, que me proporcionaram um excelente momento poético..
Muito obrigada, Amigas, pela vossa inspiração e criatividade.
Beijinhos fraternos de paz e bem.
Emília
Magnificos poemas parabéns às duas!
ResponderEliminarBeijos e um bom fim de semana!
Queridas, Fê e Rosélia,
ResponderEliminarfomos brindados com toda beleza enlaçada na canção imortal; poemas se irmanaram com tocante inspiração e aqui fizeram eco magistral.
Lindas e marcantes criações!
Parabéns, amigas!
Bjssss e votos de um bom final de semana