Silêncio e Tanta Gente
Maria Guinot - 1984
Havia gente em volta, tanta gente,
Tantas vozes e risos pelo ar,
Julgava que quem vinha, docemente,
Ficava se eu precisasse de chorar.Um dia a vida mudou de repente,
Dei comigo num rumo diferente,
Onde havia essa gente, tanta gente,
Ficou silêncio... o silêncio somente.Algumas mãos que eu julgava amigas
Foram-se afastando bem devagar,
Ignorando que nas horas difíceis
Precisamos de alguém para abraçar.Fiquei a olhar a porta entreaberta,
Ansiando um passo, uma voz, um sinal,
Mas há verdades para as quais se alerta
Quando a amizade é só ocasional.Fui aprendendo, sem qualquer revolta,
Não vale a pena chamar quem não vem,
Há quem conheça bem a nossa porta,
Mas nunca entrou dentro de nós também.Ficou o abraço de quem me dá vida,
A mão que segura a minha sem soltar,
Ficou o amor dos filhos sem medida,
E uma amizade que me ensina a lutar.Compreendi, talvez tarde ou talvez cedo,
Que o amor não precisa de multidão,
Basta uma mão firme se existe medo,
Basta um abraço sem explicação.Se alguém perguntar o que perdi,
Talvez responda, depois de pensar…
Perdi quem não soube viver aqui❤️
Ganhei quem nunca deixou de ficar.Silêncio... e tanta gente.
Tanta gente... e tão pouco valor.
Bastam as presenças verdadeiras
Para o silêncio virar Amor.

Quem é o Silêncio?
Da alma?
Do corpo?
Do Coração?
Ruídos espalhados pelo ar...
Ouço a voz das ondas do mar,
Ouço pessoas gargalharem ao longe,
Ouço frêmitos loucos
De impiedoso egoísmo.
Há tanto ruído no ar!
Tanta gente...
Lástima imensa é o subterfúgio
Do ser humano,
Lamentável tanto alvoroço ao redor.
Não há profundidade,
Profusão do fecundo...
Há apenas malquerenças
Envolvendo a humanidade
Em profundo som descabido,
Proveniente do mutismo
Dos sentimentos,
Da incapacidade de fazer silêncio
Para mais amar e servir.
Vem, silêncio,
Envolve-me de ternura!
Eu não seja eu contaminada
Pelas descabeladas urgências
Das pessoas,
Por coisas tão passageiras!
Silêncio,
Afaste o efêmero de mim!

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
É um grito
Que nasce em qualquer lugar.
Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou.
Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar.
Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão.
Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou é um grito
De um amor por acontecer.
Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou.
Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar.
Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão.
Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar
Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão.
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« Quando um passarinho beija docemente uma flor e ela o acolhe com carinho, a magia da amizade acontece. »