"Quem Me Leva Os Meus Fantasmas"
Canção de Pedro Abrunhosa & Os Bandemónio - 2007
O meu corpo aprendeu palavras que eu nunca quis saber,
nomes frios,
silêncios de hospital
e esperas que não cabem no relógio.
Há dias em que me sinto feita de vidro,
estilhaçada por dentro
e inteira por fora —
como se ninguém visse o conflito
a acontecer em mim.
Quem me leva os meus fantasmas
quando eles têm o meu nome
e moram na minha pele?
Quem me despe deste medo lento,
desta sombra que insiste
em sentar-se ao meu lado
mesmo quando o sol entra pela janela?
Mas eu continuo.
Com mãos cansadas,
com o coração aos tropeços,
com lágrimas que às vezes
não chegam a cair.
Continuo.
Porque há qualquer coisa em mim
que não aprende a desistir,
uma chama pequena
que recusa apagar-se
mesmo quando o vento grita mais alto.
Quem me leva os meus fantasmas?
Ninguém.
E talvez — só talvez —
isso não seja o fim.
Talvez eu esteja a aprender
a atravessá-los,
a respirar dentro deles,
a existir apesar deles.
E no meio desta luta,
entre cicatrizes e recomeços,
descubro, devagar,
que ainda há vida a crescer em mim —
não apesar de tudo,
mas com tudo.
Eles não me amedrontam.
Tentam minar resistências,
A me sucumbir, avançam.
Quem me leva os meus fantasmas?
Visualizo meus fantasmas,
São guerreiros insistentes,
Não me intimido, resistentes
Elos me alegram, animam.
Quem me leva os meus fantasmas?
Contemplo meus fantasmas,
Eles não me desesperam.
A lutadora, fênix combatente,
Tem um ânimo bem contente.
Quem me leva os meus fantasmas?
Medito os meus fantasmas,
São sombras em devaneios.
Não passam de meros meneios,
Ultrapasso todas as fronteiras.
Quem me leva os meus fantasmas?
Aquele era o tempo em que as mãos se fechavamE nas noites brilhantes as palavras voavamE eu via que o céu me nascia dos dedosE a Ursa Maior eram ferros acesos
Marinheiros perdidos em portos distantesEm bares escondidos, em sonhos gigantesE a cidade vazia, da cor do asfaltoE alguém me pedia que cantasse mais alto
Quem me leva aos meus fantasmasQuem me salva desta espadaQuem me diz onde é a estrada
Quem me leva aos meus fantasmasQuem me leva aos meus fantasmasQuem me salva desta espadaE me diz onde éA estrada
Aquele era o tempoEm que as sombras se abriamEm que homens negavamO que outros erguiam
E eu bebia da vida em goles pequenosTropeçava no riso, abraçava venenosDe costas voltadas não se vê o futuroNem o rumo da bala, nem a falha no muro
E alguém me gritavaCom voz de profetaQue o caminho se fazEntre o alvo e a seta
Quem me leva aos meus fantasmasQuem me salva desta espadaQuem me diz onde é a estrada
Quem me leva aos meus fantasmasQuem me leva aos meus fantasmasQuem me salva desta espadaE me diz onde éA estrada
De que serve ter o mapaSe o fim está traçadoDe que serve a terra à vistaSe o barco está parado
De que serve ter a chaveSe a porta está abertaDe que servem as palavrasSe a casa está deserta
Quem me leva aos meus fantasmasQuem me salva desta espadaQuem me diz onde é a estrada
Quem me leva aos meus fantasmasQuem me leva aos meus fantasmasQuem me salva desta espadaE me diz onde éA estrada
Quem me leva(Quem me leva) Quem me leva(Quem me leva) Quem me leva(Quem me leva) Quem me leva
Quem me salva desta espadaE me diz onde é, onde é a estrada
Quem me leva aos meus fantasmasQuem me salva desta espadaE me diz onde é, onde é a estrada
Quem me leva aos meus fantasmasQuem me leva aos meus fantasmasE me diz onde éA estrada

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