Estado de Poesia
Canta Maria Bethânia, letra de Chico César - 2015
Não preciso de grandes alardes,
nem de fogo ardendo no peito.
Basta-me o teu silêncio de tarde,
esse modo de me olhar, sem jeito.
O mundo lá fora grita urgências,
mas cá dentro o tempo descansa.
Trocamos certezas por convivências,
no ritmo suave de uma nova dança.
É quando o peito se abre, sem fresta,
e a vida parece uma eterna festa
mesmo que a música seja macia.
É nesse porto, nesse abraço de agora,
que a minha alma demora e mora
em pleno estado de poesia.
Abro as janelas da minha alma,
Dou livre acesso a Deus poetar
Em meu ser, em meu peregrinar,
Em meu viver, em todo meu amar.
Vivo em Estado de Poesia...
Carrego poesia em minha bagagem,
Faz parte da minha linda linhagem.
O meu poetar é minha linguagem,
Não sou série repetida em tiragem.
Vivo em Estado de Poesia...
Poesia, poetizar fazem Primavera
Acontecer e florir tudo em mim.
Num suave perfumar de jardim,
Envolvo-me em doce quimera.
Vivo em Estado de Poesia...
Minha relação é com a poesia,
Abranda penas, me dá alegria.
Minha vida torna-se pura magia,
Tenho por tudo, a boa sintonia.
Vivo em Estado de Poesia...
Poesia é estado da minha alma:
Contemplo tudo com todo coração,
Suspiro. Extasia-me, me acalma,
Adeus, inconveniente depressão!
Vivo em Estado de Poesia...



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