Pássaros do Sul
Canção de Mafalda Veiga- 1987
Quando Voltam os Pássaros do Sul
Há caminhos que o vento conhece
antes mesmo de nascer a manhã,
há segredos guardados na névoa
que ninguém prende na palma da mão.
Levo nos olhos a cor das distâncias,
nos bolsos, sementes de luz,
sigo o rumor das marés antigas,
inventando o rumo que as conduz.
Às vezes o céu parece vasto,
demasiado vasto para o voo dos homens,
mas basta o agitar de uma asa na eira
para acordar o que o tempo consome.
Regressam então os Pássaros do Sul,
bando de asas soltas no horizonte,
trazendo de volta a antiga coragem
de beber a água pura da fonte.
Eles não trazem promessas escritas,
trazem o orvalho que amansa a agonia:
a certeza de que a noite mais escura
guarda em si o romper do dia.
Por isso escancaro os portões do peito,
deixando entrar a brisa do sul;
talvez a vida seja apenas isto:
seguir, sem medo, os Pássaros do Sul.
Acorda, Pássaro do Sul!
Menina dos olhos de mel,
centrada nos estudos,
competência no relevo.
Acorda, pássaro do Sul!
Menina linda, de escrúpulos,
troca, pelo viver bem, sem fel,
Elegância, charme, enlevo.
Acorda, pássaro do Sul!
Menina doce, carinhosa,
jeitosa, com trejeito brejeiro,
doce companheira mimosa.
Acorda, pássaro do Sul!
Menina inquieta, dengosa,
aprimora-se, sempre vitoriosa,
tem tudo para ser vitoriosa.
Acorda, pássaro do Sul!

