2023/11/21

ANA PAULA ENTRE NÓS


As gotas de chuva deslizam suavemente pela janela, num ritmo cadenciado e melancólico. O cinzento do céu parece fundir-se com a tristeza que paira no ar, como se a atmosfera absorvesse a dor que ecoa no meu coração.

Cada gota é um suspiro do céu, uma lágrima que desce num lamento silencioso.

No entanto, há uma beleza escondida nessa melancolia. A forma como a chuva envolve tudo ao seu redor, suavizando contornos e embaçando as linhas da realidade, confere-lhe uma aura única de paz, mistério e encanto. 

Assim, entre o sombrio e o sereno, a chuva revela sua dualidade única. Ela é triste, sim, mas também é bela. Ela lembra-nos da impermanência da vida e da importância de valorizar cada momento, mesmo este, envolto em nostalgia e saudade.

Triste e belo


O dia amanheceu triste.

Chovia.

Não era a chuva entretanto que o tornava triste.

A chuva era mansa, do tipo que faz um barulhinho aconchegante nos telhados, penetra fundo na terra, é chuva nutritiva, não poderia então deixar o dia triste.

O quarto acumulava ainda o ar, o oxigênio, a energia que parecia pesar.

Abri com certa demora a janela.

Queria encontrar lá fora algo que pudesse convidar

o ar que dormiu triste do lado de dentro a se renovar em leveza.

Estava lá!

O lírio da paz.



Acordo de Paz

Cai a chuva bem fina,
Tenho Amor no coração
Jamais ele me arruína,
Sinto uma terna emoção.

Terra molhada amolece,
A plantinha feliz cresce,
Ela se faz linda, floresce,
A mim muito enternece.

Faz-se tempo outonal
Na primavera Estação.
Não é nada tão normal,
É uma linda sensação.

Faz até um friozinho…
Lá fora, há paz na tarde.
Meu peito pulsa, arde,
Flui com muito carinho.


Que todos façamos um:

Acordo Tácito de não turbarmos a Paz!...



Imagem: Pinterest

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