2026/01/20

Velásquez Entre Nós

"Las Ninas-1656"


No centro da sala, a infância repousa,
vestida de luz, de rendas e silêncio.
A infanta brilha sem saber que é história,
enquanto o tempo se dobra em seu gesto.

Olhares cruzam-se como fios invisíveis,
quem vê, quem pinta, quem é visto?
O pintor permanece, sombra viva,
assinando o instante com o próprio corpo.

Espelhos sussurram verdades oblíquas,
reis existem apenas no reflexo.
A arte respira dentro do quadro,
 o quadro observa quem ousa olhar.

Um cão dorme — guardião do real.
As meninas dançam entre dever e jogo.
Tudo é presença, tudo é pergunta:
quem somos nós diante deste espelho antigo?


As meninas estão só confabulando,

São unidas pelos laços estreitando.

Maduras, conferem poder mútuo,

Aliadas, estão em sintonia, em duo.


Vestem-se tal senhoritas alinhadas,

Elegância e charme, bem apanhadas.

Ousam confabular assuntos vários, 

Desafiam sua época nos comentários. 


São meninas moças preteridas ainda,

Näo  exigem maravilhas na berlinda.

Inequívocos resolvidos as unem muito,

Fazem jus à amizade, é  amor gratuito.




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