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| "Las Ninas-1656" |
No centro da sala, a infância repousa,
vestida de luz, de rendas e silêncio.
A infanta brilha sem saber que é história,
enquanto o tempo se dobra em seu gesto.
Olhares cruzam-se como fios invisíveis,
quem vê, quem pinta, quem é visto?
O pintor permanece, sombra viva,
assinando o instante com o próprio corpo.
Espelhos sussurram verdades oblíquas,
reis existem apenas no reflexo.
A arte respira dentro do quadro,
o quadro observa quem ousa olhar.
Um cão dorme — guardião do real.
As meninas dançam entre dever e jogo.
Tudo é presença, tudo é pergunta:
quem somos nós diante deste espelho antigo?

As meninas estão só confabulando,
São unidas pelos laços estreitando.
Maduras, conferem poder mútuo,
Aliadas, estão em sintonia, em duo.
Vestem-se tal senhoritas alinhadas,
Elegância e charme, bem apanhadas.
Ousam confabular assuntos vários,
Desafiam sua época nos comentários.
São meninas moças preteridas ainda,
Näo exigem maravilhas na berlinda.
Inequívocos resolvidos as unem muito,
Fazem jus à amizade, é amor gratuito.
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Nossa sugestão musical: Concerto de Aranjuez, II "Adagio" por Joaquín Rodrigo
🍁🌸🍁

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